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A FÊNIX
Elena acreditava que conhecia a própria vida. Cada escolha parecia ter uma origem, cada renúncia uma explicação, cada consequência uma causa. Até que, na véspera de deixar o emprego ao qual dedicara sete anos, um envelope branco aparece em sua caixa de correio.
Sem remetente. Sem explicações.
Apenas um endereço em Zaragoza e uma frase inquietante:
"Não procure uma resposta. Descubra quando você parou de fazer perguntas."
O que começa como uma provocação rapidamente conduz Elena a uma rede muito mais antiga e perigosa do que imaginava. Documentos ocultos, empresas de fachada, fotografias manipuladas, mensagens anônimas e rastros deixados por seu próprio pai começam a revelar a existência de Orpheus — um projeto criado originalmente para compreender riscos e antecipar crises, mas que, ao longo dos anos, atravessou uma fronteira muito mais sombria: a tentativa de prever, influenciar e moldar decisões humanas.
Quanto mais Elena investiga, menos consegue distinguir aquilo que escolheu daquilo que talvez tenha sido escolhido para ela.
Ao seu lado está Adrián, um homem que conhece o passado de Orpheus melhor do que admite e cuja ajuda se torna tão necessária quanto sua presença é suspeita. Clara acrescenta à investigação inteligência, pragmatismo e uma pergunta incômoda: o que fazer com um conhecimento perigoso depois que ele já existe? E, por trás de todos eles, permanece a figura de Hesham Sahwan, pai de Elena, cujas decisões continuam produzindo consequências muito depois de sua morte.
Mas A FÊNIX não é apenas uma história sobre segredos.
É uma história sobre poder.
Sobre dados capazes de descrever uma pessoa com precisão suficiente para antecipar suas fraquezas. Sobre algoritmos que deixam de servir às decisões humanas e começam silenciosamente a condicioná-las. Sobre instituições que podem nascer com boas intenções e, concessão após concessão, transformar proteção em vigilância, previsão em influência e conhecimento em instrumento de controle.
Em meio a Madri, Zaragoza, Genebra, Roma e outras cidades europeias, Elena terá de reconstruir uma história deliberadamente fragmentada. E descobrirá algo ainda mais difícil: encontrar a verdade não significa necessariamente saber o que fazer com ela.
Quando arquivos queimam, testemunhas contradizem documentos e imagens aparentemente perfeitas deixam de ser confiáveis, surge uma questão maior do que qualquer conspiração:
Em que momento deixamos de decidir por nós mesmos?
Combinando suspense psicológico, tecnologia, inteligência artificial, ética, poder institucional e drama humano, A FÊNIX explora uma das inquietações centrais do nosso tempo: quanto de nossa liberdade permanece realmente nosso quando sistemas cada vez mais sofisticados conseguem observar padrões que nós mesmos desconhecemos?
Porque algumas ameaças não precisam obrigar ninguém.
Basta conhecer suficientemente bem aquilo que cada pessoa teme, deseja ou está disposta a acreditar.
E algumas verdades não sobrevivem intactas ao fogo.
Elas renascem das cinzas.