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«Conhece-te a ti mesmo...» Era esta a frase que estava inscrita no frontão do templo de Delfos. Mas quem é este “nós mesmos”, que devemos conhecer? Direis: «Oh, são os nossos defeitos e as nossas qualidades.» Não, isso ainda não é conhecer-se. Conhecer-se é saber que somos formados por diferentes corpos (físico, etérico, astral, mental, causal, búdico e átmico) e conhecer as suas necessidades... Os Iniciados da Antiguidade insistiram tanto na necessidade do conhecimento de si precisamente porque este conhecimento abre grandes possibilidades de avançar, de progredir, de obter bons resultados. Enquanto não se conhecer as necessidades do seu Eu superior, dá-se sempre tudo ao corpo físico, que fica enfartado, enquanto a alma e o espírito, famintos, sedentos, sufocam e morrem.
«Conhece-te a ti mesmo...» Toda a ciência, toda a sabedoria, reside nisto: conhecer-se, reencontrar-se, realizar a fusão do eu inferior com o Eu superior. O símbolo do Iniciado que conseguiu reencontrar-se é a serpente que morde a própria cauda. A serpente que rasteja na terra é uma linha, reta ou sinuosa, e a linha é limitada. Mas a serpente que morde a própria cauda torna-se um círculo, e o círculo é o infinito, o ilimitado, a eternidade. O homem que conseguiu realizar o símbolo do círculo entra num mundo onde já não há limites, deixa de haver uma separação entre o Alto e o baixo, pois todas as forças, todas as riquezas e todas as virtudes que o verdadeiro Eu possui se infundem no pequeno eu. O pequeno e o grande passam a ser um só e o homem torna-se uma divindade.
Omraam Mikhaël Aïvanhov