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Há terras onde o pó cobre tudo… e, mesmo assim, alguma coisa do céu continua a nascer ali.
O céu nasce no pó é o quarto volume da série Memórias da intempérie. Nasce dos cadernos escritos em Benguela ao longo de um ano atravessado pela pobreza, pelas feridas ainda abertas da guerra e pela esperança teimosa de uma gente que não se resigna a deixar de viver.
Estas páginas reúnem cenas de vida partilhada: miúdos da rua, catequistas, irmãs, mais velhos, mães que sustentam a casa com quase nada, jovens que carregam água, carvão ou sonhos, comunidades que rezam e celebram mesmo no meio da intempérie. Aqui não há grandes heróis nem discursos solenes. Há rostos, nomes, pequenos gestos, pão partilhado, risadas, cansaço, silêncio, orações feitas ao ar livre e uma ternura que não se rende.
Mas este livro também é atravessado por uma ferida íntima: a morte do pai. No meio da missão chega a notícia, a viagem urgente de regresso, o luto vivido com a família, a presença serena da mamã e essa lenta aprendizagem de que o amor não desaparece: muda de forma. Por isso estas páginas têm uma profundidade especial. Junto da história de Benguela, pulsa também a memória familiar, a ausência, a fidelidade e a descoberta de uma presença nova.
O céu nasce no pó não é uma crónica de guerra nem um relatório missionário. Também não idealiza a pobreza. É um livro de memória encarnada: uma narração feita de cenas verdadeiras, de humanidade partilhada e de uma fé que se torna concreta. Aqui Deus não aparece distante nem abstrato. Deixa-se encontrar numa capela sem teto, num saco de farinha recebido com gratidão, num rapaz que acompanha um velho cego, no sorriso de uma avó, na alegria daqueles que continuam a acreditar quando quase tudo falta.
Um livro para quem procura relatos verdadeiros.
Para quem sabe que o Evangelho também se escreve rente ao chão.
E para quem ainda acredita que, mesmo na terra mais seca, o céu pode nascer no pó.