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Coups de cœur Cultura
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Durante os últimos cinco anos, acontecimentos muito significativos aconteceram em catadupa.
Em Portugal saiu-se de uma intervenção da troika para a tentativa da recuperação económica.
Mudou a maioria governativa, fez-se mais diversa e menos comprometida.
Entraram em crise as oposições.
Radicalizou a direita e seguiu o caminho que noutros lugares também tomou, o populismo.
O maior partido da oposição, pressionado talvez pela gravidade dos momentos, transigiu, abdicou de intervenção forte, foi incapaz de criar alternativa.
Dividiu-se o centro direita e criou novos intervenientes.
O governo comprometia a esquerda com as suas soluções sendo para ela o mal menor e acenando com o papão da direita e as memórias do sofrimento dos anos da brasa.
Fez-se um esforço, manteve-se uma carga tributária imensa mas mais anestesiante, recuperou-se o turismo, paralizou-se o investimento público, mantiveram-se os salários em geral e deu-se conforto aos rendimentos mínimos.
Chegou mesmo a atingir-se o equilíbrio orçamental e disse-se que, ao contrário do suposto, era um princípio da esquerda.
Eis senão quando uma pandemia inesperada e brutal entrou em cena.
O mundo mudou e a esperança quase se desfez.
Empresas e empregos, salários e rendimentos, políticas, entraram em perda.
A partir daí foi a reacção contra um flagelo sem par.
A invenção das vacinas, a luta contínua entre o vírus e as suas mutações e a resposta securitária. A incerteza da evolução. Os avanços e os recúos.
As consequências na saúde públIca e na mortalidade. A crise nos serviços de saúde.
Mas entretanto, no mundo, mais surpresas estavam preparadas.
Lula descobre-se liberto para voltar a concorrer à presidência do Brasil.
Nos Estados Unidos, o triunfo de Trump acaba numa trágica tentativa de invadir o Congresso.
Boris Johnson leva a Inglaterra ao Brexit.
A União Europeia tenta recompor-se, com dificuldades internas visíveis.
As crises migratórias desdobram-se.
A violência de grupos armados ligados ao Daesh expande-se.
Incrédulo, o mundo assiste à invasão da Ucrânia pela Rússia.
A NATO reergue-se, recebe novos países membros, é obrigada a desenhar um novo conceito estratégico.
A Rússia e a China aproximam-se.
O mundo fica, de um dia para o outro, completamente diferente.
Há sanções económicas, há crise dos combustíveis.
Adicionam-se à subida da inflacção e à alta das taxas de juro.
A Alemanha, epicentro das perdas, tem, pela primeira vez, um crescimento negativo.
E logo agora que tinha sido aprovado o programa de recuperação europeu.
Os populismos crescem e ameaçam a estabilidade de governos como o francês ou o italiano.
Boris Johnson vai pela borda fora.
E as catástrofes naturais, e o aquecimento e os incêndios.
São cinco anos desafiadores. Ricos em motivos de comentário e reflexão.