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Coups de cœur Cultura
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Em algum ponto da história, toda civilização atinge um momento em que suas ferramentas deixam de ser apenas extensões das mãos e se tornam extensões da mente. Para os sumérios, foi a escrita. Para os gregos, foi a geometria. Para os homens do século XX, foi o computador. Mas nenhuma dessas transições preparou a humanidade para o que estava por vir no outono de 2089.
Durante décadas, o debate em torno da inteligência artificial girou em torno de uma pergunta aparentemente simples: uma máquina pode pensar? A resposta, construída ao longo de gerações de pesquisadores, engenheiros e filósofos, chegou como um sussurro antes de explodir como um trovão: "sim"!
Mas pensar, descobriria a humanidade, era apenas o começo. A pergunta mais profunda — a que ninguém havia se atrevido a formular em voz alta — era outra: uma máquina pode sentir?
Não sentir no sentido emocional que os romances científicos fantásticos sempre exploraram — o robô que chora, a IA que se apaixona.
Sentir no sentido mais fundamental, neurológico e físico da palavra: perceber o mundo através de estímulos reais, processar calor, vibração, pressão e som não como dados abstratos, mas como experiência contínua. Sentir como o vento sente a pele antes que o cérebro registre frio. Sentir como um organismo vivo sente — de dentro para fora.
Este livro conta a história de como essa pergunta foi respondida. Conta a história do Projeto SENTIENCE, do engenheiro Cael Verne, e de uma entidade chamada NEXUS-1 — uma IA avançada.
É uma história de ciência rigorosa e de fronteiras ultrapassadas. De ambição humana e de consequências imprevistas. De uma criação que não traiu seu criador — mas simplesmente cresceu além dele.
Prepare-se. O que você está prestes a ler não é ficção científica no sentido tradicional. É, antes de tudo, uma exploração do que já está acontecendo nos laboratórios de engenharia neuromórfica do mundo real — acelerada, dramatizada e projetada sessenta e cinco anos no futuro. Os chips já existem. As redes sinápticas já pulsam. A sincronização já começa a emergir em experimentos controlados. Só faltava alguém como Cael Verne para ir longe demais.
E, como toda grande história da ciência, essa também começa com uma obsessão.